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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Eleições: segundo turno mais tranquilo

Edberto Ticianeli

Mesmo com a crescente troca de acusações entre os candidatos Ronaldo Lessa (PDT) e Teotonio Vilela (PSDB), o segundo turno das eleições em Alagoas promete ser mais tranquilo. Pelo menos é o que espera o presidente do TRE/AL, desembargador Estácio Gama, que classificou como coisa do passado as grandes crises políticas e avaliou como natural os pedidos de tropas federais.

O Exército estará presente em Roteiro, São Luiz do Quitunde, Jequiá da Praia, Porto de Pedras, São Miguel dos Milagres, Batalha, Jacaré dos Homens, Minador do Negrão e Boca da Mata. A Secretaria de Defesa Social também divulgou o planejamento para o dia 31 de outubro, quando distribuirá 9 mil policiais militares e civis em todos municípios alagoanos.

O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Dário César divulgou que a PM vai atuar com 7.479 policiais. A região metropolitana de Maceió será policiada por 4.075 militares, enquanto 3.404 estarão no interior. Já o delegado-geral da Polícia Civil, Marcílio Barenco, vai distribuir 1.310 profissionais da segurança nas 13 regiões em que dividiu o estado.

Fraude

O fato novo dos últimos dias de campanha foi a representação que o PDT apresentou ao TRE/AL por suposta fraude nas urnas eletrônicas. De acordo com o partido de Ronaldo Lessa, teria havido um crescimento acentuado de votos rápidos no final da votação do primeiro turno. Isso teria acontecido em 1.065 seções, conforme os espelhos de boletins das urnas, que anotaram algumas votações com cerca de 40 segundos, entre as 16h e 17h.

O desembargador Estácio Gama encaminhou a denúncia ao Ministério Público Eleitoral (MPE), mas fez questão de frisar que esse tipo de problema tem que ser resolvido pelo partidos quando fizerem as fiscalizações das seções. "Os partidos reclamam dessa situação, mas eles devem colocar fiscais e a reclamação deve ser formalizada no primeiro turno e não no segundo turno", orientou o presidente do TRE/AL.

O PDT quer que o TRE convoque os mesários das 1.065 seções que apresentaram esse comportamento e cobre esclarecimentos. O partido denuncia que esses votos podem alterar significativamente o resultado das eleições. A coordenação de campanha de Lessa informou que está investindo para ter uma fiscalização mais efetiva no segundo turno.

Horário de Verão

O horário de votação no segundo turno será o mesmo do primeiro, entre as 8h e 17h. O esclarecimento foi dado pelo desembargador Estácio Luiz Gama de Lima, já que havia dúvidas se o horário de Alagoas teria que ser adaptado ao Horário de Verão adotado no Centro-Sul do País.

O TRE/AL também explica que é garantida, aos componentes das mesas receptoras de votos, das Juntas Apuradoras e dos escrutinadores, a dispensa do serviço pelo dobro dos dias da convocação oficial, sem prejuízo do salário, vencimento ou qualquer vantagem. Para isso é necessário somente a declaração expedida pela Justiça Eleitoral.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Diminui número de eleitores jovens

Ana Carolina, Cosmo Filho, Herson Feitosa e Edberto Ticianeli
Ilustração: Cartilha da Arquidiocese de Maceió

Em recente audiência pública na cidade de Pirenólopis (GO), o presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandowski, anunciou que o número de eleitores jovens de16 e 17 anos vem diminuindo nos últimos dois anos. O assessor-chefe da Corregedoria-geral Eleitoral do TSE, Sergio Cardoso, explica que é necessário um estudo para identificar as razões dessa diminuição. O voto nessa faixa etária é facultativo

O Tribunal Superior Eleitoral publicou que dos 135.804.433 milhões de eleitores aptos a votar nas eleições gerais de outubro, 1,76% são menores de 18 anos. Enquanto os eleitores aptos aumentam em 7,8% em relação ao eleitorado de 2006, os jovens diminuem a sua participação no pleito. Em 2006 eles eram 2.566.391, cresceram em 2008 para 2.923.591 e regrediram para 2.391.352, em 2010.

O cientista político David Fleischer, em entrevista à Voz do Brasil, identifica que o estímulo para votar não é muito forte. “Há uma alienação em que os jovens acham que não vale a pena votar e, também, infelizmente as nossas instituições não estão trabalhando para reverter isso” diz. Discordando, o jornalista Antônio Pereira Filho, presidente da Jorgraf (Cooperativa dos Jornalistas e Gráficos do Estado de Alagoas), acredita que os jovens estão cada vez mais preparados para enfrentarem uma eleição, principalmente pelo grande volume de informação que estão disponíveis. Ele identifica na internet um espaço importante na formação da opinião dos jovens e da população em geral para o voto mais consciente. “Infelizmente, as redes sociais ainda não estão disponíveis para amplos setores da sociedade. Além disso, apenas as redes sociais não se sustentam para a necessidade de discussão e diálogo que deve acontecer em períodos eleitorais”, lamenta o jornalista.

O primeiro voto

A lei que faculta o voto aos jovens de 16 e 17 anos é de 1989 e surgiu após um intenso debate sobre a capacidade de votar dos adolescentes nessa faixa etária. Aos 21 anos de idade, a lei continua sendo invocada quando se discute a maioridade penal ou o direito de dirigir para menores de 18 anos. Polêmicas à parte, os jovens eleitores entrevistados pelo Cesmac In Foca demonstram que estão atentos à política.

“A importância de votar pela primeira vez é ter certeza de contribuir com o desenvolvimento do estado e da nação”. A declaração é de Jordan de Souza, 16, estudante do 2º ano do ensino médio em Matriz de Camaragibe, que ainda atribui ao voto o poder de decidir por um Brasil mais desenvolvido e com mais emprego.

Ainda em Matriz de Camaragibe, Joyce Gomes, 17, estudante do curso de técnico de enfermagem, também confere ao voto o poder de contribuir para um estado e um país mais desenvolvido. “Estou analisando em quem votar, pois o futuro está em nossas mãos”, conclui.

Em Santa Luzia do Norte, a estudante Paula Araújo dos Santos, 16, vai votar pela primeira vez e acredita que a sua responsabilidade como cidadã pode mudar o destino do país e do estado de Alagoas. “Tenho esperança de que, votando em políticos certos, ocorram melhorias na saúde, educação e apareçam mais empregos para a população”, diz.

Voto consciente

A compra de votos é outro assunto que está presente nas discussões entre os jovens. Eles demonstram preocupação com a interferência do poder econômico nos resultados das eleições.

Leticia Teixeira Soares,18, de Santa Luzia do Norte, que já participou da última eleição municipal, acredita que o seu voto para presidente e governador pode mudar o destino de milhões de pessoas. Ela cobra maior responsabilidade ao votar, para que não se escolha candidatos que compram votos. “Tem vereador trabalhando para candidato ficha suja, oferecendo R$ 70 por voto. Esses políticos não têm responsabilidade com o dinheiro publico, com a educação, saúde, transporte e esporte”. Letícia Teixira apela para que o eleitor vote certo, em candidatos com responsabilidade e compromisso com as obras sociais.

A universitária Wilhelmina Magalhões, 23, atribui, também, aos eleitores a culpa pelos crimes eleitorais. “Vamos valorizar nossos direitos, vamos votar com consciência, senão seremos culpados no futuro”, conclama.

Juventude desorganizada

Toda essa intenção em melhorar a representação política tem ficado restrita a ações isoladas de cada um dos jovens eleitores. Essa identificação é feita por Everton Matias, 24, estudante de jornalismo do Cesmac. Para ele, a maioria dos jovens acha que tudo está muito ruim e que é impossível fazer alguma coisa para resolver esse quadro. “Isso leva a uma participação política desorganizada da juventude. Poucos são os que têm conhecimento para escolher corretamente os seus representantes”, afirma.

No próximo domingo, 3 de outubro, dois milhões de eleitores vão às urnas em Alagoas para escolherem os seus representantes. Entre eles, aproximadamente 35 mil jovens com 16 e 17 anos votarão pela primeira vez em suas vidas.

Mais informações no TRE-AL.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Mais uma vez adiada

Pauta do julgamento sobre a legibilidade do candidato ao governo de Alagoas ficou de fora da discursão do TSE.

Natália Souza

O julgamento do Tribunal Superior Eleitoral sobre a legibilidade ou não do candidato ao governo do Estado Ronaldo Lessa, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), deveria ter sido realizado ontem, mas para angustia do PDTista, foi mais uma vez foi adiado.

De acordo com a assessoria do candidato, ontem, o advogado do caso informou de Brasília, sobre a ausência da pauta “Lessa” nos julgamentos do dia.

Em outra ocasião, a defesa se dizia confiante que o resultado do TSE fosse favorável para Ronaldo, mas salientou sobre a lentidão dos julgamentos da corte e criticou que a Lei Ficha Limpa, ou nenhuma lei pode “retroagir para prejudicar” o candidato.

Segundo informações da assessoria, a pauta poderá ser levada em juízo hoje.

Relembre

Em 2004, o então candidato que estava em campanha pela reeleição de Alberto Sexta-Feira à prefeitura de Maceió, teria se reunido com servidores públicos estaduais para pedir voto para o candidato. O ato foi registrado como prática de abuso de poderes econômico e político e em 2006 foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral a três anos de inelegibilidade, pois julgaram que Lessa teria usado sua influência e seu cargo para induzir o voto dos servidores. Ronaldo ainda chegou a recorrer, mas perdeu.

Passados quatro anos, Ronaldo Lessa candidatou-se, desta vez na disputa pelo Governo do Estado, nas eleições 2010, e teve sua candidatura impugnada de acordo com a Lei Ficha Limpa.

A defesa alega que Lessa já foi condenado e cumpriu o período de três anos de inelegibilidade.

Pesquisa

Apesar desse impasse, Ronaldo Lessa continua em campanha em uma eleição de resultado ainda indefinido, segundo as pesquisas.

No início da noite de ontem, os números do Ibope mostraram uma disputa equilibrada ao governo de Alagoas, que levaria Ronaldo Lessa, Fernando Collor e Teotônio Vilela ao segundo turno, com 28%, 29% e 27% da intenção de votos respectivamente.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Alagoas: TRE e polícias já têm esquema de segurança para eleições

Edberto Ticianeli

As instituições envolvidas nas eleições em Alagoas afirmam estarem prontas para garantir que o eleitor vote em segurança. O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) anuncia que mobilizará 24 mil mesários, além dos seus servidores e trabalhadores terceirizados, para receber os 2 milhões de eleitores nas 6.715 urnas eletrônicas espalhadas no estado.

Todos os envolvidos passam por treinamento, principalmente os que trabalharão com as urnas biométricas. Elas foram testadas em eleições simuladas no dia 21 de agosto e apresentaram problemas, ao não reconhecerem as digitais de alguns eleitores. Os municípios alagoanos com urnas biométricas são: Barra de Santo Antônio, Chã Preta, Jaramataia, Poços das Trincheiras, Rio Largo, Branquinha, Igaci, Quebrangulo, São Miguel dos Milagres, Coité do Nóia e Maribondo.

As cidades alagoanas atingidas pelas enchentes e enxurradas também recebem atendimento especial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que enviou uma carreta para funcionar como cartório eleitoral itinerante.

Urnas testadas

As urnas eletrônicas para as eleições de 2010 foram submetidas, no final do ano passado, a rigorosos testes para verificar a possibilidade de fraude. O TSE selecionou 26 hackers de instituições e órgãos como a Polícia Federal, Controladoria Geral da União (GCU), Information System Security Association (ISSA) Capítulo Brasil, além de profissionais que se ofereceram para testar a vulnerabilidade dos equipamentos. O resultado é que ninguém conseguiu violar o sistema eletrônico para alterar a votação ou identificar em quem um determinado eleitor votou.

A fase de lacração de sistema e verificação dos dados dos candidatos também já foi encerrada no último dia 28 de agosto, com acompanhamento dos representantes dos partidos e coligações, que validaram os nomes e fotografias que serão exibidos pelas urnas.

 Polícias prontas

 As ações das polícias para o pleito de 2010 foram definidas no mês de junho deste ano, em reunião com os representantes da Defesa Social, PRF, PF e MP, quando toda estratégia foi montada para funcionar a partir de uma ação integrada. Para esse fim, o secretário de Defesa Social Paulo Rubim anunciou que a PM e Polícia Civil iriam fiscalizar, principalmente, a compra de votos e o transporte ilegal de eleitores. A Polícia Federal informou que reforçou a sua equipe e que já tem mapeado os 15 pontos considerados críticos em Alagoas. As rodovias federais em nosso estado serão fiscalizadas por 170 policiais e 30 viaturas da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Eleitor desconfiado

Mesmo com o anúncio dessas medidas, o eleitor em Alagoas não acredita que o aparato policial seja capaz de impedir que aconteçam crimes eleitorais durante a campanha. Para Valmir Peixoto (38), proprietário de um caminhão de transporte e morador do Conjunto João Sampaio, a polícia não tem como enfrentar os esquemas montados para a fraude eleitoral. “Aqui no bairro é muito comum ouvir das pessoas que elas estão participando de cadastros eleitorais. A Polícia Federal pode prender alguns, mais a maioria dos políticos corruptos vai continuar se elegendo com a compra de votos”, denuncia.

Se há desconfiança em relação à atuação da polícia, o mesmo não acontece em relação à ação da justiça. Pelo menos é o que indica o número de denúncias que tem chegado ao TRE. Segundo o corregedor eleitoral, Raimundo Alves de Campos Junior, já foram recebidas mais de 50 denúncias sobre compra de votos em Alagoas.

O desembargador Estácio Gama, presidente do TRE, também reforça a estimativa de que as eleições serão tranquilas em Alagoas, informando que está solicitando reforço da Polícia Militar e de tropas federais para os municípios considerados críticos.